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História

O Colégio Marista Arquidiocesano foi fundado em 1858 com o nome de Colégio Diocesano e era administrado por freis capuchinhos e padres seculares. Ficava na Avenida Tiradentes, no bairro da Luz.

Os Irmãos Maristas passaram a dirigir o Arqui em 1908. Naquela época, a Congregação já era conhecida em inúmeros países pela eficiência na difusão do ensino. O prédio na Vila Mariana começou a ser construído em 1929 e foi inaugurado em 25 de janeiro de 1935. De lá para cá, o Colégio vem acompanhando as mudanças na sociedade e realizando as suas próprias. Duas das mais significantes foram o fim do internato em 1968 e a abertura da escola ao público feminino em 1972.

A Gruta de Nossa Senhora de Lourdes foi inaugurada no dia 8 de julho de 1939, como comemoração por não ter havido nenhuma morte, entre alunos e Irmãos, por ocasião da gripe espanhola, que atingiu o país nos anos de 1918 e 1919. Também em 1939, no dia 22 de novembro, foi inaugurada a Capela do Colégio.

A epidemia de gripe espanhola afetou bastante a rotina do Colégio. Como não havia no Brasil um número suficiente de hospitais para atender a população carente, o Irmão Isidoro Dumont suspendeu as atividades escolares e o Arquidiocesano se transformou em um verdadeiro hospital, com cerca de 400 leitos. Foi nomeado como médico do local o doutor Emílio Ribas, que contou com a ajuda de seis Irmãos Maristas, sendo desativado em dezembro de 1918.

Outro fato histórico que marcou a escola foi a Revolução Paulista de 1924, quando o Colégio serviu de QG para as tropas revoltosas, comandadas pelo general Isidoro Dias Lopes. O Arqui foi invadido por dezenas de soldados e civis em 7 de julho e só foi desocupado um mês depois.

Entre 1881 e 1884, estudou no Arqui uma personalidade de notável participação na história nacional: o presidente da república Wenceslau Brás, que viria a governar o Brasil de 1914 a 1918. Outro presidente que estudou no Arquidiocesano foi Jânio Quadros. Em 12 de junho de 1961, ele fez uma visita ao Colégio, sendo recebido com grande festa. Na ocasião, Jânio condecorou seu ex-professor, Irmão Amandino, com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

As transformações na estrutura marcam as fases da história do Arqui e ocorrem desde sua fundação. Em 1985, foi construído o Conjunto Desportivo Irmão Leão. Já em 1997, o Colégio ganhou mais 3 quadras cobertas, um novo conjunto aquático e salas de dança e judô com o fim das obras do Ginásio Poliesportivo Marista. O Centro Cultural Marista Arquidiocesano, inaugurado em 2000, transformou-se em mais um espaço de estudo, arte, esporte e vida Marista, oferecendo inúmeras atividades extracurriculares para alunos e comunidade. O novo prédio abriga também o Centro de Línguas, as salas de espetáculos Paulo Autran e Armando Bógus, uma Biblioteca, o Salão de Eventos e várias salas de aula, frequentadas pela 3ª série do Ensino Médio.

O Arqui continuou crescendo em 2001 com a inauguração do Centro Marista de Arte, ao lado do Conjunto Desportivo Irmão Leão, e com a reforma total do antigo prédio da APM, que deu lugar a uma moderna academia de musculação, o Arqui Fitness Center.

O Marista Arquidiocesano vincula sua sólida tradição educacional a uma constante renovação pedagógica e didática. Uma estrutura física impressionante, valores e princípios cristãos e uma prática educacional comprovada por milhares de estudantes dialogam inteligentemente com os mais atualizados recursos tecnológicos. Os laboratórios de ciências naturais, robótica, redação e línguas estrangeiras modernas, equiparados aos das melhores universidades, e os projetos e processos educativos, que proporcionam novas formas de conhecimento e reflexão, fazem toda a diferença por conta de um corpo docente altamente capacitado – diferencial que qualifica todo o processo de ensino-aprendizagem.

Arqui Memorial

No ano de 2015, o Colégio Marista Arquidiocesano comemorou 80 anos da inauguração de seu edifício no bairro da Vila Mariana. Muito dessa trajetória está presente no Memorial do Colégio Marista Arquidiocesano em cerca de 30.000 documentos (fotografias, revistas, objetos de ensino, uniformes, medalhas). São itens que nos auxiliam a conhecer o passado da instituição, a história da educação no Brasil, o desenvolvimento da cidade de São Paulo, entre outros temas.

Em comemoração aos 80 anos da presença Marista na Vila Mariana, o Memorial compartilha dois documentos históricos pouco conhecidos pela comunidade escolar:

1) O álbum da construção da sede do Colégio no bairro da Vila Mariana: elaborado entre 1929 e 1933, o álbum apresenta todas as etapas de construção, dos alicerces até a confecção dos ornamentos. Por sua riqueza de detalhes a respeito das técnicas construtivas, é item requisitado por estudantes e profissionais de arquitetura.

2) O primeiro estudo de fachada para o edifício apresentado pelo escritório Álvaro Salles de Oliveira: O desenho em nanquim e aquarela datado do final dos anos 20 revela uma proposta esteticamente distinta do que foi concretizado.

 

Vila Mariana

A Vila Mariana já aparece registrada no final do século XIX por Luiz Carlos Petit, que em 1885 montou uma fábrica de fósforos na região.

No ano seguinte foi inaugurada a Estrada de Ferro Santo Amaro, operada pela Companhia Carris de Ferro de São Paulo. A linha seguia pelo que hoje corresponde à Rua Vergueiro, Rua Domingos de Morais e Avenida Jabaquara, o trajeto da atual Linha 1 do Metrô. A ferrovia inicialmente visava atender ao Matadouro da Vila Mariana, inaugurado no mesmo ano, e facilitou a ligação da região com o restante da cidade. O nome seria uma homenagem do engenheiro alemão Alberto Kuhlmann, responsável pela construção da linha, à sua esposa Mariana.

No início do século XX, a Vila Mariana contava com cerca de seis mil moradores, população ainda acanhada diante dos mais de 200 mil habitantes da cidade, segundo dados do Recenseamento Geral do Brasil. Nos anos 30, época da inauguração do edifício do Colégio , o bairro vivia um processo acelerado de urbanização.

O Edifício

O Colégio Marista Arquidiocesano , fundado em 1858, funcionou durante 76 anos em uma construção de taipa de pilão anexa ao Seminário Episcopal de São Paulo, na Av. Tiradentes, bairro da Luz. Em 1922 os Irmãos Maristas adquiriram um terreno de 27 mil metros quadrados, no bairro da Vila Mariana, projetando, assim, a construção de uma sede própria. A transformação do Colégio em hospital provisório durante a epidemia de Gripe Espanhola (1918) e a invasão do prédio pelas tropas tenentistas na Revolução de 1924, reafirmaram a necessidade da construção de um novo edifício.

A pedra fundamental do edifício do Colégio na Vila Mariana foi lançada no dia 26 de maio de 1929. A cerimônia solene contou com o discurso de Monsenhor Martins Ladeira e benção de D. Duarte Leopoldo e Silva, além da presença e pronunciamento de outras personalidades.

No ano de 1929 teve início a construção do edifício. O projeto, elaborado pelo escritório de Álvaro Salles de Oliveira, baseava-se nas prescrições legais e o que se concebia como mais sofisticado em arquitetura escolar. O estilo neoclássico nas fachadas expressa a tendência da cidade de São Paulo no período. A arquitetura colonial era derrubada para ceder lugar às edificações com forte influência europeia, como forma de expressar civilidade, modernidade e progresso.

Para a construção do edifício foram montadas oficinas de carpintaria, serralheria e fabricação de ornamentos dentro das primeiras dependências construídas. O cuidado estendeu-se até a escolha dos materiais, muitos importados da Europa e Estados Unidos caso, por exemplo, do cimento amarelado utilizado na confecção das fachadas.

O início das obras no mesmo ano da crise da Bolsa de Nova York, que atingiu de forma violenta a produção cafeeira paulista, ampliou as dificuldades para a execução do projeto e só foi viabilizada graças à generosidade do Engenheiro Álvaro Salles de Oliveira, que custeou parte das despesas e por isso foi homenageado em placa que encontra-se até hoje fixada em frente à Portaria Central.

O imponente edifício, com 12 mil m2 de área construída, foi inaugurado no dia 25 de janeiro de 1935, na presença de autoridades civis e religiosas, sendo abençoado pelo arcebispo D. Duarte Leopoldo e Silva. Nos jornais da época, o edifício é descrito como um presente à cidade de São Paulo.

Pelas plantas arquitetônicas, fotografias e o atual edifício em pleno funcionamento, percebe-se a magnitude do conjunto. Na época, com capacidade para até 500 alunos em regime de internato, a edificação era constituída em quatro pavimentos, com amplas salas de aula, laboratórios bem equipados, museu escolar, quatro campos de futebol e aparelhos esportivos, biblioteca, salão nobre, enfermaria, dormitórios e uma capela ricamente decorada com mármore colorido e 13 vitrais vindos da França. Interligado por galerias duplas, apresenta-se um segundo edifício que completava as dependências com cozinha, seis refeitórios e as instalações para os empregados.

Curiosidades

A comunidade escolar que hoje observa o edifício do Arqui na Vila Mariana não imagina que sua fachada poderia ser diferente. No ano de 2010, o Núcleo Administrativo fez a transferência de um conjunto de documentos históricos ao Memorial do Colégio. Entre os papéis recebidos, estava um estudo de fachada, primeiro esboço feito pelo escritório de Álvaro Salles Oliveira.

O desenho datado dos anos 20, e esquecido por muitos anos, necessitou de uma criteriosa intervenção de restauro. O primeiro estudo de fachada foi elaborado em nanquim e aquarela e revela uma ornamentação mais rebuscada. Possivelmente o projeto não agradou aos Irmãos Maristas, que optaram por um desenho mais simples apesar da grandiosidade da construção, condizente com o perfil da missão educadora da instituição.